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Resenha publicada no jornal A Tribuna Piracicabana, Suplemento Linguagem Viva, em janeiro de 2023.

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Um dos livros mais emblemáticos da literatura contemporânea (e vou falar sobre ele em breve, no canal Acontece nos Livros, na seção "clássicos") se chama "Capão pecado" e foi escrito por esse sujeito aí da foto, Ferréz. Ferréz, além de grande escritor, faz diferença em todo lugar em que fala. E ele falou do meu "usufruto de demônios" no canal dele, o "Avesso". Muito obrigado, meu caro!


Sempre também meu agradecimento ao querido Gabriel Morais de Medeirtos, que editou essa belezura e que escreveu um puta posfácio.

Não deixem de adquirir, de ler, de apoiar a literatura brasileira.

 

Link para o vídeo: Avesso #43

 

 

Marilia Arnaud

Instagram @mariliaarnaud

 

Os minicontos de “Usufruto de demônios”, de Whisner Fraga, revelam, em grande parte, um mundo desarranjado pela pandemia provocada pelo Corona vírus. Isolamento social, desemprego, desolação, incerteza, solidão, dor, o cotidiano dos privilegiados que puderam se manter em suas casas (“o conforto é macio”) e o dos invisíveis moradores de rua, entregues à própria sorte. Hábitos radicalmente reinventados, experiências particulares e coletivas frente ao avanço da besta fera, e a constatação da nossa fragilidade, da necessidade vital dos vínculos sociais.


Diante do monstro de mil coroas, os personagens de Whisner, tendo Helena (mais uma vez), como interlocutora, prostram-se, ajoelham sua vulnerabilidade e afundam num rio de lágrimas. Alguns minicontos mostram ainda um Brasil bichado, de pernas para o ar, o desmando em cada esquina, a ausência de perspectivas, o Demônio à solta, o povo à deriva. Mas nem só de morte e medo se tecem as narrativas de Whisner. Entre outros personagens, a Menina vem vestida nas cores do amanhã, e carrega em si a semente do renascimento, da esperança e do afeto, do arrebatamento diante da vida, que não vinga para todos, agora ela sabe. Tudo narrado com a sutileza e o lirismo próprios do grande prosador que é Whisner Fraga.


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Por Krishnamurti Góes dos Anjos

 

Em resenhas anteriores tivemos a oportunidade de salientar certa característica do gênero literário conhecido como conto. São fragmentos de vida. Daí resulta, quando em mãos hábeis, a emergência de um caráter lírico proveniente da força do fragmento. Júlio Cortázar (1914-1984), endossa tal afirmativa, e explica bem o recorte que os contistas podem e devem realizar: ao escolher e limitar uma imagem ou um acontecimento que sejam significativos, e que não só valham por si mesmos, podem causar mais facilmente nos leitores uma espécie de abertura, de fermento que projete a inteligência e a sensibilidade em direção a algo que vai muito além do argumento visual ou literário contido no conto.

Quanto à forma que o gênero vem assumindo na atualidade, constatamos verdadeira busca pela síntese, reflexo por certo, de nossa era marcada pelo esfacelamento, fragmentação, velocidade e intensidade. Surgem daí vertentes narrativas que enveredam pelo que ainda difusamente denominamos de mini, micro ou nanoconto. Formas diminutas de ficções as quais, um dos grandes estudiosos da narrativa curta hoje, no Brasil, o professor Rauer Ribeiro Rodrigues molda...




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Por Hugo Almeida

 

Nos anos 1970/80, o escritor Ricardo Ramos (1929–1992) era considerado nos meios literários o maior conhecedor do conto brasileiro contemporâneo. Como sempre houve, hoje existem vários grandes leitores de contos de autores nacionais. Entre os primeiros está Whisner Fraga (Ituiutaba-MG, 1971; vive em São Paulo), também um grande contista, a exemplo do filho de Graciliano Ramos (1892–1953). Desde que criou o canal Acontece nos Livros, no YouTube, há seis anos, Whisner já comentou cerca de 200 obras de ficção, a maioria contos de escritores brasileiros, principalmente publicados por pequenas editoras. Whisner acaba de lançar o seu 12º livro, Usufruto de demônios (Ofícios Terrestres Edições), volume de minicontros, alguns editados em vídeos no YouTube. Em 2020, ele havia lançado O que devíamos ter feito (Patuá), contos originais, poéticos e por vezes cruéis. Na nova coletânea, prevalecem o tom e o tema da dor, como da pandemia... 


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